Seis em cada dez paulistanos que comem fora têm sobrepeso


 

Pesquisa aponta que restaurantes e lanchonetes oferecem mais gordura. Comer nesses locais pode ser fator de risco para obesidade.

 


 

 

Sobrepeso é fator de risco para doenças
cardiovasculares


Seis em cada dez paulistanos que comem fora de casa regularmente sofrem com o excesso de peso, aponta um estudo feito pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Os pesquisadores mapearam a alimentação de mais de 830 pessoas, em uma coleta de dados que durou cerca de um ano, entre 2008 e 2009. Eles chegaram à conclusão de que quase 60% dos participantes que disseram comer fora de casa (482) estavam com sobrepeso. O número é maior que a média nacional, que está em 48,5%, segundo o Ministério da Saúde.

O levantamento da USP, feito em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde, foi tema da dissertação de mestrado da nutricionista Bartira Gorgulho. "O sobrepeso é um fator de risco para doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de mortes no mundo".

O estudo aponta ainda que quase metade das refeições fora de casa (45%) são as intermediárias, aquelas que ocorrem entre os pratos principais do dia e são constituídas principalmente por lanches.

O artigo levanta também a hipótese de que comer em restaurantes e lanchonetes seja um possível fator de risco para a obesidade.

Equivalência
A pesquisa da USP procurou mapear tanto as características das pessoas que comem fora de casa quanto os aspectos nutricionais dos alimentos ingeridos na rua durante as três principais refeições do dia: café da manhã, almoço e jantar.



 

Principais grupos alimentares contribuintes
de gorduras totais na alimentação fora de casa

CAFÉ DA MANHÃ


Manteiga e margarina

41%


Pães, torradas e biscoitos

14%


Leite integral

13%

ALMOÇO


Carne bovina

19%


Arroz

13%


Salgados e sanduíches

9%

JANTAR


Salgados e sanduíches

40%


Carne bovina

13%


Aves

11%
 
Contribuição dos grupos alimentares no consumo de açúcar de adição na alimentação fora de casa

CAFÉ DA MANHÃ


Açúcar refinado

28,9%


Refrigerante

23%


Doces

21,7%

ALMOÇO


Refrigerante

63%


Doces

22%


Suco de fruta

4%

JANTAR


Refrigerante

68%


Doces

14%


Suco de fruta

5%
 
Fonte: Dissertação de mestrado da USP: 'Alimentação fora do lar e sua relação com a qualidade da dieta
dos moradores do município de São Paulo'

Os resultados revelam que não há diferenças significativas entre os tipos de comida oferecidos em casa e na rua – mas na quantidade deles.

Nas refeições fora do lar, o estudo observou a presença tanto de alimentos marcadores de uma dieta saudável, como arroz e feijão, quanto os característicos de uma dieta não saudável, como refrigerantes, salgados, sanduíches e pizzas. A média de calorias consumidas por refeição foi de 628.

No café da manhã, 80% dos alimentos ingeridos foram pães, torradas, manteiga, margarina, café e leite integral. Já no almoço, 70% corresponderam a arroz, feijão, carne bovina, verduras, legumes, refrigerantes e aves. Já no jantar, os dados apontam que 70% equivaleram a salgados, sanduíches, arroz, verduras, legumes, carne bovina, aves, refrigerante e suco de frutas.

Gordura
A nutricionista diz, porém, que há mais oferta de alimentos gordurosos nos restaurantes que em casa.

"Percebemos que a alimentação fora do lar tem uma maior quantidade de gordura. E o consumo de frutas é baixo tanto dentro quanto fora, ou seja, a alimentação é ruim no geral", destacou Bartira.

De acordo com a autora, os maus hábitos alimentares independem do local onde as refeições são feitas.

"A alimentação fora de casa acaba contribuindo para o sobrepeso por existir uma maior oferta de gordura em lanchonetes e restaurantes. O que não muda o fato de a alimentação precisar melhorar tanto em casa quanto na rua".

A pesquisadora acrescenta ainda que é necessário incentivar o consumo de frutas, verduras e legumes nos dois ambientes. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para mais de 90% da população, a ingestão diária desses três tipos de alimentos está abaixo dos 400 gramas recomendados pelo Ministério da Saúde.

A alimentação é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, obesidade, diabetes, infarto, derrame, câncer e asma, entre outras.

Então fique atento com as tentações nas lanchonetes e restaurantes você que tem o hábito de almoçar fora, pensar em alimentos mais saudáveis e nutritivos é uma boa escapatória desse ranking. Seu corpo e principalmente seu coração agradecem!






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