A tristeza do coração, tem nome....Depressão


Segundo o Ministério da Saúde, uma em cada quatro mulheres sofre de depressão. Entre os homens, o índice não ultrapassa os 12%. Como se não bastasse a prevalência da doença, principalmente no público feminino, um novo alerta dos especialistas soma-se aos fatores que levam a doenças cardiovasculares: a depressão. “O fato é que a depressão não é só um estado de humor, ela é uma doença física, que altera o sistema nervoso. Quem tem a doença apresenta uma produção alterada de hormônios que são mediadores de inflamação e que, por consequência, aumentam o risco de aterosclerose”, explica o cardiologista Otávio Gebara, do Hospital TotalCor (SP). 

A aterosclerose é uma inflamação das placas compostas por gordura e tecido fibroso, que pode levar à obstrução progressiva dos vasos. ‘“Nos pacientes depressivos, os níveis de proteína C reativa, que é um marcador inflamatório importante, ficam elevado, assim como os níveis de cortisol e noradrenalina no sangue”. Porém a depressão atua sobre o coração também por uma outra via, não menos perigosa. “Ela pode comprometer a frequência cardíaca”, diz a psicóloga Glória Heloise Perez, chefe do ambulatório do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo (InCor). Na prática, quem tem depressão pode sofrer com o batimentos cardíacos irregulares ou acelerados, aumentando o risco de infarto.


Um terceiro motivo explica a incidência de problemas do coração entre os depressivos. “Como a depressão cursa com sintomas como a falta de energia e o cansaço, é comum que esses pacientes adquiram hábitos de vida muito ruins. Eles fazem menos exercícios, alimentam-se mal, desistem de seguir o tratamento recomendado pelo médico. Esse estilo de vida aumenta muito o risco de doenças, incluindo as do coração”, diz Gebara.

Atenção aos sinais

Antes que a depressão tenha desdobramentos importantes, como as alterações cardiovasculares, convém buscar ajuda especializada. No entanto, para diferenciar a depressão de um simples quadro de tristeza temporária, alguns sinais são clássicos: além da mudança de humor e do desinteresse por atividades que antes lhe davam prazer, o depressivo normalmente apresenta pelo menos quatro outros sintomas, como aumento ou diminuição do apetite, aumento ou diminuição do sono, dificuldade para se concentrar ou para tomar decisões, agitação ou lentidão do estado psicomotor, pensamentos de autodepreciação e culpa, pensamentos de morte ou suicídio, cansaço e falta de energia.

Hábitos fazem a diferença

Assumir um estilo de vida saudável ajuda a promover a saúde geral, amenizando tanto os sintomas da depressão quanto das cardiopatias. O essencial, claro, é cuidar da alimentação, manter o peso adequado e praticar exercícios. Essas atitudes auxiliam também no controle de outros fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol e obesidade. Outra questão importante é buscar o convívio social. Afinal, é a interação com outras pessoas, numa convivência prazerosa, que ajuda a tirar o foco da doença. 

Nesses encontros, oferecemos ao sistema nervoso central estímulos saudáveis. “Passear, ficar com os amigos, ler, assistir filmes e trabalhar são algumas das atitudes que ajudam a manter o cérebro saudável e, consequentemente, reduzem os riscos de problemas psicológicos. O sono reparador também é fundamental para a manutenção da saúde”, ensina o psiquiatra Fráguas Junior. Manter-se longe do cigarro e do álcool também é superimportante. “É muito comum encontrarmos quadros depressivos ligados ao uso de álcool. Porque a droga provoca uma certa euforia enquanto está fazendo efeito no organismo, mas, no momento da abstinência, o resultado é totalmente o contrário”, diz o cardiologista Otávio Gebara.



FONTE DE INFORMAÇÃO

0 comentários: