Alguns comportamentos durante a adolescência podem acarretar problemas cardíacos no futuro.


Evidências científicas demonstram a associação de doenças cardiovasculares - principal causa de mortalidade no mundo - com o estilo de vida da fase da adolescência. No estudo, "Estilo de vida e saúde cardiovascular em adolescentes de escolas do município de São Paulo", Inês Lancarotte, Moacyr Nobre, Rachel Zanetta e Marcio Polydoro mostram como o reconhecimento precoce de fatores de risco cardiovascular é importante para a prevenção de doenças. O estudo foi publicado este ano nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 

"A herança genética, as dietas não balanceadas, ricas em gorduras trans e saturadas e carboidratos refinados, mas pobres em frutas e legumes e com substancial quantidade de sal, a inatividade física, entre outros, são fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares", afirmam os pesquisadores no artigo. 

Com relação aos hábitos alimentares, a pesquisa mostra que uma parcela expressiva dos adolescentes apresenta um padrão alimentar inadequado. Eles observaram, por exemplo, que há uma tendência de redução do consumo de frutas e verduras, do aumento do consumo de alimentos com alto conteúdo de sal e de um aumento da disponibilidade de refrigerante. "É possível que situações decorrentes das dinâmicas familiares e do círculo de amigos, do aporte crescente de alimentos industrializados, dos preços mais acessíveis e dos apelos mercadológicos (através de múltiplas estratégias) sejam determinantes importantes desse comportamento alimentar", apontam. 

Quanto ao fator sedentarismo, os autores observaram que os jovens passam mais de duas horas por dia em frente à TV, videogame ou computador. "Estudos que analisam a média diária de tempo à frente de televisão de crianças brasileiras mostram valores que variam de 3 horas e 31 minutos a 4 horas e 51 minutos - as crianças brasileiras ficam mais tempo diante da televisão do que convivendo com sua família ou na escola", dizem. Eles ainda destacam a relação entre o tempo que uma criança fica à frente de uma TV e a aquisição de hábitos não saudáveis como o consumo de alimentos de alto valor calórico e conteúdo de sal. 

Segundo os pesquisadores, há uma tendência de declínio de atividade física e de aumento de comportamentos sedentários a partir de idades entre 11 e 12 anos, relacionados a sexo, etnia e níveis socieconômicos.


 

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