Ser afetuoso e carinho pode ajudar na sua longevidade.


Estudos recentes que associam o modo de vida à longevidade mostram que as relações afetivas são tão determinantes para ganhar anos a mais no calendário quanto os cuidados com a saúde. Os casados, desde que mantenham uma relação harmoniosa com o cônjuge, vivem mais que os solteiros. Quem tem um círculo de amizades grande e atividade social intensa leva vantagem sobre os solitários. A explicação para isso está nos estímulos positivos que a pessoa recebe nos relacionamentos. "A sensação de bem-estar e segurança que advém da boa convivência reforça o sistema imunológico", diz o geriatra Renato Maia Guimarães, de Brasília, presidente da Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria. 

Uma pesquisa recente da Universidade Flinders, em Adelaide, na Austrália, feita com idosos, mostrou que aqueles com fortes conexões sociais vivem mais do que os que preferem o isolamento. Um dos estudos mais completos sobre a influência do casamento na longevidade, feito por médicos da Universidade da Califórnia, analisou dados de 66 000 pessoas com idade entre 19 e 85 anos. "Em todas as faixas etárias, observou-se que aqueles com um relacionamento amoroso estável tinham mais chance de chegar a uma idade avançada", disse a VEJA o geriatra Robert Kaplan, um dos autores do estudo.

O ator Tony Ramos e sua mulher, Lidiane, são protagonistas do tipo de casamento capaz de promover a longevidade. Em setembro eles vão comemorar, com um jantar e uma missa, suas bodas de rubi – o equivalente a quarenta anos de união. Ramos ainda presenteia a esposa com flores, deixa bilhetinhos carinhosos pela casa e, quando está gravando novelas, telefona pelo menos três vezes por dia para ela. "O amor acontece nas pequenas coisas, num toque, num carinho", acredita o ator, que se define como um grande romântico.

No ano passado, cientistas da Universidade Harvard divulgaram os resultados de uma pesquisa feita ao longo de seis anos com um grupo de idosos cuja memória era testada periodicamente. O resultado mostrou que os mais integrados socialmente se saíam melhor nos testes. Foram usados no estudo três critérios para definir integração social: estado civil, trabalho voluntário e frequência do contato com a família e com vizinhos. "Expor-se às novidades e aos desafios proporcionados pelo relacionamento social estimula o cérebro e a vontade de viver", explica o geriatra Fábio Nasri, do hospital Albert Einstein, de São Paulo.


Foi em busca de novos estímulos que o engenheiro paulista Carlos Carriel, aos 47 anos, decidiu prestar vestibular para a faculdade de direito. Formou-se no mês passado, aos 51 anos. Seu primeiro desafio na nova empreitada foi superar a diferença de idade com relação aos colegas, que o chamavam de senhor e com quem não tinha assuntos em comum. Rompidos os primeiros obstáculos, acabou fazendo amigos. "Com o tempo, a vida vai ficando entediante e descobri que posso me apaixonar por novos assuntos", ele conta. Entusiasmado com as novas amizades, Carriel decidiu se cuidar. Contratou uma personal trainer, consultou uma nutricionista e conseguiu perder 10 quilos. Neste mês, para comemorar a formatura, vai viajar para Machu Picchu – local que jamais havia cogitado visitar. Atitudes positivas como as de Carriel contribuem para uma vida mais longa e prazerosa.


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